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O poder do agronegócio sobre os Estados na Rio+20...


Olá pessoal...

As discussões ligadas a Geografia Agrária nunca forram tão pertinentes. Com a conferência Rio+20 as questões ligadas ao meio ambiente e a sustentabilidade tomaram força no cenário mundial. Dentro deste tema, as questões agrárias também adquirem sua importância, quando nos reportamos aos modelos de produção.
O Brasil já foi intitulado como ‘celeiro do mundo’. A mídia insiste em maquiar o agronegócio como o maior responsável pela produção de nossos alimentos. Ser o maior produtor de soja é o troféu que carregamos. Mas, alguém aí come soja diariamente (salvo as exceções)?
Infelizmente, muitos não sabem que 70% dos alimentos que chegam a nossa mesa são oriundos da agricultura familiar. Não entendem que o modelo familiar é responsável pela maior geração de empregos no campo e que, além disso, o modelo agroexportador é muito mais nocivo ao meio ambiente.
No entanto, os investimentos estatais no agronegócio superam expressivamente os investimentos na agricultura familiar. Por que essa contradição? Por que o mundo ainda enxerga o agronegócio como o caminho para o fim da fome, redução da pobreza e para a sustentabilidade? Como ficam os modelos agroecológicos nos debates internacionais?
A entrevista abaixo publicada pelo jornal “Brasil de Fato” é uma ótima dica para quem deseja analisar o assunto de outra perspectiva...


O PODER DO AGRONEGÓCIO SOBRE OS ESTADOS NA RIO+20

Foto: João Zinclar
Com vasta experiência na área agroecológica no Brasil, o economista Jean Marc Von Der Weid participou junto à sociedade civil da ECO 92 e vem acompanhando desde a década de 1980 os movimentos ambientais no Brasil. Atualmente é coordenador de Políticas Públicas da ONG Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA) e membro da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
Nesta entrevista ele fala sobre a perspectiva de fracasso da Rio+20, as forças políticas e interesses que estão em xeque, a falsa visão ambiental da economia verde e aponta a agroecologia como solução para muitos problemas climáticos e energéticos no planeta. Segundo o estudioso e militante, a tendência é uma regionalização da cadeia produtiva alimentar e a potencialização da agricultura familiar para garantir a alimentação dos povos.

Brasil de Fato: Você pode primeiro contextualizar o evento que ocorreu no Rio de Janeiro em 1992 e os compromissos que foram cumpridos ou não nestes 20 anos?
Jean Marc Von Der Weid: As diferenças entre 1992 e a Rio+20 são radicais e contraditórias. Porque hoje você tem muito mais crítica sobre o modelo de desenvolvimento e o sistema capitalista no mundo, e muito mais informação dos impactos ambientais. No entanto, naquela altura havia mais interesse dos governos em discutir esses problemas e enfrentar as questões. É paradoxal, mas é assim. Hoje as multinacionais e grandes empresas estão atuando a fundo tanto nos espaços nacionais para definir as políticas e programas de seus governos na Rio+20, como participando das delegações oficiais e criando espaços paralelos de debate. Houve uma série de resoluções importantes do ponto de vista do meio ambiente e do desenvolvimento em 92, que hoje em dia não tem nada similar sendo discutido: a Convenção da Biodiversidade e a do Clima, a própria Agenda 21, etc.
De lá para cá existe, tanto na questão climática, quanto na biodiversidade, um processo de erosão das decisões que foram tomadas, as resoluções foram esvaziadas paulatinamente. A questão do clima se transformou depois na reunião de Copenhagen, que rigorosamente não tem mais nenhum tipo de compromisso internacional que seja levado a sério. E o governo estadunidense nunca entrou nos compromissos internacionais sobre a questão climática. O resultado é uma porcaria, e sequer envolve o compromisso dos estadunidenses em aplicar as tais resoluções.
A construção da questão ambiental está muito mais enfraquecida. A fórmula da Rio+20 tem evitado fazer um balanço do que aconteceu nos últimos 20 anos, e o balanço é lamentável. Você tem algo oficioso pela ONU que pega todos os acordos feitos de 1992 para cá e sucessivas reuniões daquelas decisões. Mas não tem nenhuma situação de progresso internacional do ponto de vista objetivo, e nem do arcabouço jurídico institucional que deveria reger essas mudanças. Pelo contrário, e o resultado é que houve uma aceleração do processo de aquecimento global. Na questão da biodiversidade, estamos perdendo espécies mais rapidamente, sobretudo porque entrou em jogo a produção transgênica, que foi um arraso em relação à variedade genética. E várias outras coisas, como perdas de solo e água.

Brasil de Fato: Até que ponto vai a influência da participação corporativa nas negociações?
Jean Marc Von Der Weid: A iniciativa empresarial apagou o que estava acontecendo e simplesmente começou tudo de novo. Em 1992 instituiu-se a ideia de desenvolvimento sustentável, que sempre foi complicada. O princípio era interessante, mas quando se define sustentabilidade cada um dá a sua definição. A Monsanto e a Coca Cola dizem que o que elas fazem é sustentável, por exemplo. Quando você não tem um critério estabelecendo um conceito universal, cada um faz e fala o que bem entende. Atualmente está sendo lançado um novo conceito de economia verde que, na prática, é mais do mesmo pintado de verde. Transgênicos e agrotóxicos são apresentados como economia verde.
Estamos num momento muito ruim do ponto de vista do destino da humanidade, porque os governos estão extremamente enfraquecidos. Essa é outra grande diferença de 92, quando havia uma expansão da economia internacional que praticamente só fez acelerar até 2008. Se você descontar a economia da China e da Índia, que ainda se mantêm em expansão acelerada, embora o ritmo tenha diminuído, o resto do mundo está paralisado. Não é um bom momento para você falar em reformar o sistema e aplicar recursos para mudar a base produtiva, porque os governos não vão mudar. Eles querem manter as coisas como estão, e rezar para que o meio ambiente não reclame.         

Brasil de Fato: A tendência é que não ocorram avanços na Rio+20?
Jean Marc Von Der Weid: Os organizadores acham que não vai ter avanço. O francês Brice Lalonde, que é secretário da Rio+20, disse em público que confiava na sociedade civil para agitar a Conferência. Mas a sociedade civil não está imune aos problemas que o conjunto da economia mundial está passando. Muitas organizações sociais estão na defensiva tentando segurar os direitos conquistados ao longo de 50 anos, porque a contraofensiva patronal hoje na crise financeira é para derrubar os direitos dos trabalhadores. A receita aplicada na Grécia é a ameaça para todo mundo. E ao mesmo tempo as empresas não perdem nada, pelo contrário, com a ameaça de quebra o Estado sai bancando o prejuízo. Os bancos são os primeiros beneficiários, os grandes gerentes do sistema financeiro internacional continuam ganhando uma baba sem restrição nenhuma. Por outro lado, você tem muito mais capital de conhecimento acumulado pela sociedade civil, principalmente científico, nos temas chave de 92 e hoje. A agroecologia ainda não tinha a segurança que tem para dizer que não é uma aposta, e sim alternativa clara para o desenvolvimento. Experiências apontam saídas e soluções para a nossa crise sócio- econômica-ambiental.  

Brasil de Fato: Você falou que a gente vive uma crise ambiental sem precedentes. Quais são as questões mais graves que a humanidade enfrenta hoje?
Jean Marc Von Der Weid: Você tem dois tipos de riscos, um ambiental e outro econômico energético. A questão ambiental mais grave, nos próximos 50 anos, é o aquecimento global, cujos efeitos são devastadores e em múltiplas direções. Começando por desestabilizar o sistema produtivo agrícola de forma brutal, e tudo com consequência direta na segurança da humanidade. O aquecimento global pega pesadamente na qualidade da água e quantidade e qualidade de alimentos. A agricultura está no coração dos problemas energéticos e do aquecimento global, mas ninguém está discutindo o que vai acontecer do ponto de vista energético nos próximos tempos.
Uma das propostas da economia verde na energia é você substituir combustíveis fósseis por eólico, hidroelétrico, hidráulico, etc. Mas não é discutido a fundo o quanto precisa fazer e em que velocidade para responder os problemas de queda na oferta de energia nos próximos 30 anos. Há uma avaliação cada vez mais generalizada de que a era do petróleo e gás está acabando, e as implicações são absolutamente colossais para a humanidade. Não há ainda nenhuma alternativa verde que dê conta dessa perda. Os custos vão ser muito mais altos, e a dificuldade de implantação vai exigir um tempo de transição muito grande. A crise vai pegar mesmo no fígado.

Brasil de Fato: E o Brasil está vindo com o pré-sal na contra mão da história...
Jean Marc Von Der Weid: Nós estamos achando petróleo numa quantidade razoável porque as descobertas no mundo são cada vez menores e o consumo vem crescendo muito rápido. A tendência geral é de queda e custos mais altos com impacto enorme na economia. Isso vai desorganizar a economia do mundo como um todo. O sistema alimentar mundial, hoje, tem um custo energético monstruoso para produzir, processar, transportar e uma perda colossal no consumo. Tem desperdício ao longo da cadeia, mas o desperdício final, sobretudo nos países mais desenvolvidos, vai além de 30%. Dados apontam para um desperdício de alimentos nos Estados Unidos é dez vezes superior ao da África subsaariana. O sistema mundial foi bolado num período de baixíssimo custo de transporte, com petróleo a preço de banana. O custo médio nos Estados Unidos de um alimento normal no prato de um americano é de 5 mil milhas de viagem. No Canadá são 12 mil em média, então esse tipo de situação vai ser completamente desarticulada e desorganizada. E se fizer biodiesel e álcool combustíveis, vai pegar na cadeia alimentar pesadamente. O Fidel Castro fez uma comparação dizendo que o álcool combustível, com esse negócio do biodiesel, é botar em concorrência a alimentação do pobre com o carro do rico.   

Brasil de Fato: Você falou da crise climática e uma crise energética, e as duas estão associadas...
Jean Marc Von Der Weid: Enquanto você não tem uma solução energética de combustíveis fósseis, a tendência é o mundo usar até o limite. Na medida em que o petróleo está ficando caro, por exemplo, está voltando a se utilizar o carvão que é o maior emissor de gases de efeito estufa. É um círculo vicioso. A aceleração do processo de substituição não pode vir simplesmente pela extinção do que existe, você tem que antecipar com alguma solução que evite uma situação dramática. Os recursos naturais renováveis têm a ver, por exemplo, com as estruturas: água, solo, biodiversidade, que são altamente ameaçadas. Nos anos 90 já tinha perda de aproximadamente 46% de toda a área cultivada em culturas anuais. São em torno de 2 bilhões de hectares de área de cultivo, e em torno de 12% já está inviabilizado para produção. Os índices mais pesados são os da agricultura convencional, o agronegócio, até porque são os que ocupam as melhores terras do mundo. E a água está acabando por várias razões, entre elas o aquecimento global, que está interferindo, por exemplo, nos sistemas de irrigação na Índia e em todos os países dos Andes. Estes dependem desde o tempo dos incas do derretimento da neve na estação do verão para alimentar os rios e córregos para fazer irrigação. O problema é que atualmente você tem invernos em que não neva. Na Índia é pior ainda, porque os glaciários do Himalaia estão derretendo e quando acabar o Ganges seca.

Brasil de Fato: Quais experiências propõem uma alternativa para essa crise energética e climática que você está desenhando?
Jean Marc Von Der Weid: Na verdade não há nenhuma solução elaborada que permita você dizer que tem um modelo econômico macro, em grande escala, que responda a essas questões mundialmente. Uma coisa fundamental que já vem sendo batida desde o relatório de 1972 é a necessidade de alterar o modelo de consumo do mundo. A começar pelo consumo energético como, por exemplo, a civilização do automóvel individual que está condenada. Você tem que criar uma sociedade que funcione com o transporte público e circuitos mais econômicos. Porque o automóvel, em particular o dirigido por uma pessoa, é uma das coisas de pior eficiência energética que você pode achar no mundo. E outras coisas, como no consumo alimentar esse negócio da milhagem. A pessoa vai ter que se alimentar de acordo com o que é possível produzir com a menor distância possível para ela consumir. Então você vai alterar os regimes alimentares mundo afora, relocalizar o sistema alimentar e, inclusive, mudar as dietas.
Do ponto de vista da produção, na agricultura o futuro é claramente a agroecologia. É um sistema de balanço energético positivo. Nos Estados Unidos, para cada caloria servida ao freguês você investe 10. Com o sistema agroecológico você vai reduzir a emissão de gases de efeito estufa, segurar as questões de destruição de solo e a economia no uso de água, além da conservação de biodiversidade. A agroecologia pode ser operada em níveis muito variados. É um sistema múltiplo de cultivos e criações intercalados com vegetação nativa manejado de uma forma sistêmica. A estratégia da agroecologia é mimetizar os sistemas naturais, você se aproxima da diversidade natural para usar o seu sistema produtivo. É a melhor produtividade possível por área, mas tem uma série de restrições. Para você manejar um sistema altamente diversificado e complexo, você vai precisar de mão de obra qualificada. E vai ter um limite da quantidade de área por mão de obra utilizada, pois são sistemas em que o nível de mecanização é baixo. Uma proposta agroecológica no limite de seu potencial de diversidade é, por exemplo, o sistema de Fukuoka, no Japão, cujo cultivo é misturado dentro do mato. Tudo é essencialmente manual, não tem absolutamente nenhuma operação mecanizada. Mas você pode fazer coisas intermediárias, não deixa de ser agroecológico, mas certamente o nível de eficiência é menor pois o ideal é o máximo de diversidade de sistema.
Para você fazer um sistema altamente produtivo de agroecologia vai precisar de agricultores familiares, que são os que têm interesse e conhecimento. Não é um sistema que opere bem com mão de obra assalariada, pois esta só funciona com tarefas simples como cortar cana, colher maçã, conduzir o gado, etc. Se você vai pedir uma tarefa extremamente complexa ele não tem interesse, porque vai ganhar igual por hora de trabalho. E é o trabalho não alienado, com interesse direto de quem vive daquilo e de tudo que ele acumulou de conhecimento para fazer aquele negócio. Há uma simbiose perfeita entre a agroecologia levada a seu limite máximo e a agricultura familiar. Isso significa que no futuro precisa de muito mais agricultura familiar do que você tem hoje.

Brasil de Fato: Isso é uma solução para o inchaço das cidades?
Jean Marc Von Der Weid: Com certeza, mas a questão dos Estados Unidos, por exemplo, é que eles têm 2 milhões de agricultores e precisariam botar 38 milhões no campo. Não é uma coisa que você faça de uma hora para outra, nem que faça bem. Quando a crise se colocar, eles vão precisar de gente para produzir alimentos e não vão ter, pois os desempregados nas cidades não têm conhecimento. Cuba é um bom exemplo de crise energética, pois viveu numa porrada só o que o mundo está vivendo aos pouquinhos: a perda da energia fóssil. Eles dependiam do petróleo russo para operar e de repente parou tudo do dia para noite, porque a agricultura era toda mecanizada. Eles tiveram que reformar o sistema produtivo de grandes fazendas mecanizadas em propriedades familiares cooperativas. O grande problema foi achar gente, é uma operação complicada porque se perdeu conhecimento. E a nossa situação dramática no Brasil é um processo de perda de conhecimento muito grande, porque a reforma agrária estancou. No período do Lula houve uma evasão violenta de juventude no campo, e quem é que vai herdar o conhecimento e continuar a tocar as coisas?  

Brasil de Fato: O agronegócio está bem estabelecido no campo brasileiro?
Jean Marc Von Der Weid: Ainda tem uma área grande na mão da agricultura familiar, mas a tendência, até por pressão do governo, é mecanizar isso também. Aquele programa “Mais alimentos”, que os movimentos chamam de “mais trator”, levou a mecanização pesada principalmente no sul. Mas em muitos lugares significou que o cara para mecanizar tem que fazer monocultura, imediatamente um puxa o outro. Nós temos um patrimônio cultural e um campesinato bastante rico, mas estamos vivenciando um processo de erosão de conhecimento e de abandono do campo. No meu cálculo, para o Brasil seriam necessárias 15 milhões de famílias para o desenvolvimento agroecológico, e atualmente a agricultura familiar deve ter 4,5 milhões. No governo Lula você tinha expectativa de fortalecer a agricultura familiar e apertar um pouco os impactos do agronegócio, mas não aconteceu. O agronegócio está nadando de braçada e ganhou força, e querem impor o Código Florestal. Vamos ver se a Dilma vai ter coragem de vetar.    

Brasil de Fato: Você pode fazer uma radiografia da agroecologia no Brasil?
Foto: João Zinclar
Jean Marc Von Der Weid: A agroecologia deve ter cerca de 40 anos. O nosso programa foi um grande impulsionador da agroecologia no Brasil, quando começou em 1983 ainda era algo confinado a alguns profissionais das ciências agrárias isoladas. Uma garotada da Federação dos Estudantes de Agronomia, os grupos de agricultura ecológica, era um troço pequeno. Naquela altura você tinha a agricultura orgânica na direção da agroecologia com a biodinâmica. De lá para cá houve um avanço muito grande da agroecologia, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) é uma expressão de movimento agroecológico significativo que envolve tudo: conhecimento tradicional, indígena, inovações da agricultura familiar e científica, etc. Existem exemplos suficientes pelo país afora, não só em outros países do mundo, que mostram o sucesso da Agroecologia. São várias sistematizações que têm uma eficiência maior que o sistema tradicional. Existem óticas e interpretações variadas porque, por exemplo, tem áreas com uma influência maior do sistema de produção orgânico, que está mais preocupado em produzir para um nicho de mercado, pois paga mais caro, mas acho que limita um pouco o sistema de produção agroecológico: poucos agricultores para poucos consumidores.
O sistema de agricultura orgânica no mundo padece desse impasse, porque o sistema de regulação, de certificação, é um sistema de produção de mercado em muitos lugares. Eu vi isso na França. Quando teve a crise da vaca louca houve um hiperaumento de demanda para produtos orgânicos. E o presidente da Federação de Produtores de Agricultura Orgânica disse que estavam cheios de agricultores, mas o sistema de certificação apertou os critérios de conversão. Freou a capacidade de novos orgânicos entrarem no mercado. 

Brasil de Fato: Quais as dificuldades da aproximação da agricultura familiar com a agroecologia?
Jean Marc Von Der Weid: O agricultor familiar enfrenta muitas barreiras com a legislação sanitária, porque é montada para beneficiar grandes extensões. E para conversão de um agricultor à agroecologia você precisa mostrar que o meio ambiente é importante para ele produzir para ganhar. Frequentemente você entra com diminuição de custo de produção, tirando o agrotóxico, produzindo com semente crioula e sem adubo químico. E a tendência desses insumos é aumentar a um ponto que o cara vai ver que esse sistema mais integrado não só vai reduzir os custos de produção, como aumentar a produtividade. E, sobretudo, diminuir o risco. Aos poucos ele começa a ver que os elementos ambientais jogam um papel no sistema agroecológico: primeiro deles é a conservação do solo.

Brasil de Fato: Então o maior desafio da agroecologia é a capacitação?
Jean Marc Von Der Weid: Capacitação. E acho que tem uma questão pedagógica, uma abordagem correta é conseguir mostrar passo a passo que essas práticas têm um impacto importante no ponto de vista de custo, de risco, de benefício para saúde e econômico. Isso é uma questão fundamental.



Por: Eduardo Sá, no ‘Brasil de Fato.
Em: 25 de Abril de 2012.
Acesso em 19 de Julho, 2011.

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Boas reflexões!
Abraços!
Reforma Agrária, no Brasil, está mais próxima. Será?

A verdadeira relação entre Ecologia e Produção de Energia no Brasil...


Olá pessoal...

É surpreendente o que uma palavra pode fazer. “renovável”, “sustentável” se tornaram palavras da moda para explicar toda uma ideologia que defende o atraso econômico como a única saída para a humanidade. Para entender isso, vejamos como se distribui a produção mundial e brasileira de energia nos gráficos a seguir (os dados foram retirados do site www.biodieselbr.com).
O que há por de traz desses números? O Brasil está preparado para o crescimento econômico previsto? Qual o impacto desse crescimento econômico e, conseqüentemente, energético? Como isso afeta o meio ambiente? Quais as verdadeiras implicações nos termos ‘sustentável’ e ‘renovável’?
Veja a discussão sobre esses assuntos e outros detalhes sobre o tema na reportagem abaixo (para mais informações e discussões veja as seguintes postagens "Os acontecimentos de 2011 e sua influencia no sistema de energia mundial...","O Brasil precisa da energia nuclear?", "Associação dos Geógrafos Brasileiros toma posição sobre a construção da usina hidroelétrica de Belo Monte...").

 
Ecologia e produção de energia

O conceito de energia “renovável” ou “sustentável” é o composto pela soma dos itens biomassa tradicional e moderna, energia hidroelétrica e outras energias renováveis, dando um total de 14% da energia mundial e 46% no Brasil.
Mas, se olharmos com cuidado, estes dados incluem desde os fogões de lenha ou o carvão vegetal no Brasil (“biomassa tradicional”), as usinas hidroelétricas e também toda a energia vinda do álcool (etano ou outras denominações), seja este produzido da cana de açúcar ou do milho.
O conceito de “renovável” é altamente questionável, quando tratamos da queima de madeira (biomassa tradicional) e, de outra forma, do álcool. Para entendermos isso em termos da discussão “ecológica” de hoje, é preciso lembrar-se do conceito de “aquecimento global” e também que, até hoje, as leis da física continuam valendo.
Porque o mundo “esquenta”? Em termos simplificado, a Terra recebe continuamente energia solar. Esta energia é concentrada em forma de vegetais (através da fotossíntese) ou se mostra em forma de energia hidroelétrica (rios, através do ciclo de evaporação, chuva ou neve, rios),
ventos e ondas. Esta energia chega em forma luminosa (luz), que é uma radiação eletromagnética.
A segunda lei da termodinâmica explica que em toda transformação energética há uma perda em forma de calor. Ou seja, a fotossíntese, que é um processo altamente eficiente, converte 95% da luz que banha a folha ou a alga receptora em energia química e perde 5% em forma de calor.
Outras formas de conversão são bem mais ineficientes, sendo que motores a gasolina chegam de 25% a 40% de eficiência, perdendo o restante da conversão da energia química em motora (movimento) em calor.
Ora, se isto acontece, se o sol banha a Terra continuamente com luz, se qualquer transformação de energia produz calor, porque a Terra (ou qualquer planeta) não esquenta mais? Porque o calor é continuamente irradiado para o espaço, perdendo-se. Então, toda a questão do “aquecimento global” reduz-se a uma delicada equação no qual a produção de determinados resíduos industriais (gás carbônico é o principal, mas temos outros) poderá levar a diminuição da quantidade de energia irradiada e, portanto a Terra esquentará.
Então, a energia renovável seria aquela que é constantemente reposta (florestas, plantações de milho e cana de açúcar, rios, ventos, ondas, etc.); o restante é energia fóssil (petróleo e gás natural pela decomposição das plantas e outros organismos mortos há milhares de anos) ou físsil (energia atômica, de elementos produzidos há muito tempo no universo) e que não serão produzidas novamente em curto espaço de tempo. O problema é que a produção da dita energia “renovável” nunca é neutra e, além disso, queima de lenha e álcool também produz muitos resíduos.
Para ser franco, esta discussão é um pouco estúpida. Como qualquer discussão feita no capitalismo, ela deixa de lado uma questão essencial que são as necessidades humanas, inclusive de sua própria sobrevivência e concentram-se em questões que são importantes, mas que não são suficientemente estudadas. Pois, afinal, o que significa o termo “preservação do meio ambiente”?

EVOLUÇÃO E CONSERVAÇÃO.

Conservar o meio ambiente é algo que nunca ocorreu na história do planeta Terra. A teoria da evolução mostra que a Terra está constantemente mudando e que grandes transformações da fauna e flora ocorreram e ocorrem. Todo mundo lembra-se de que a Terra já foi dominada pelos grandes dinossauros, que eles hoje estão extintos e que os mamíferos são a forma de vida dominante (aparentemente, pois existem mais espécies de besouros no mundo que espécies de mamíferos, apenas estes são maiores e aparecem mais).
Então, querer “conservar”, impedir que desapareçam espécies e que nasçam outras é querer parar todo o desenvolvimento natural. Claro que isto pode ser feito, mas demandariam esforços e recursos muito além de nossa capacidade atual. O que estes senhores (os “preservacionistas”) querem dizer é que a atividade humana, o desenvolvimento econômico e industrial humano, está modificando o meio ambiente de forma “antinatural” e o que precisamos é controlar este desenvolvimento para impedir que ele modifique a evolução natural.
Qual o problema levantado por eles? Que o desenvolvimento industrial pode levar a um novo ambiente no qual a espécie humana, assim como ocorreu com os dinossauros, seja levada a extinção. E, neste aspecto, eles têm razão. Afinal, se acontecer uma serie de desastres nucleares ou uma guerra atômica de proporções mundiais é muito provável que o meio ambiente resultante disto seja mais favorável às baratas que aos seres humanos. Além disso, o aumento de CO2 (gás carbônico) se é favorável a um grande número de plantas, não parece ser favorável ao homem ou a outros grandes mamíferos. Se os polos e geleiras derretem, teremos um novo meio-ambiente que pode favorecer um novo conjunto de espécies e da qual a nossa não é das mais favorecidas.
O que eles estão errados é acharem que ações individuais (use bicicleta ao invés de carro, economize agua) vão modificar tal situação. Também estão errados ao quererem “preservar” ao invés de “dirigir” a modificação. A realidade é que as necessidades humanas obrigam as modificações, a economia hoje é dirigida pela busca do lucro e estas toscas tentativas transformam-se em forma de novos consumos e produção de mercadorias (sejam bicicletas ou propaganda anti-modificação do meio ambiente) ao invés de resultados efetivos.
Além disso, a “ciência” e sua divulgação são manipuladas pela burguesia e o resultado são conceitos questionáveis como o de energia renovável. Para entender isso, vamos começar a analisar as diferentes formas de produção de energia “renovável”.


BIOMASSA “TRADICIONAL”

No mundo, 9,5% da produção de energia. No Brasil, 8,5%. Afinal, o que é a biomassa “tradicional”? Trata-se simplesmente da queima de madeira ou outros resíduos vegetais, seja em fogão a lenha, fogareiros, churrascos, produção de carvão vegetal, etc. Em outras palavras, destrói-se a cobertura vegetal para a produção de energia.
Sim, cabe perfeitamente no conceito de “renovável”, mas dizer que isto é qualquer forma de energia “limpa” é totalmente absurdo. Afinal de contas, o que temos é a produção de gás carbônico, de cinzas, de óxido de carbono (CO), um gás altamente tóxico e outros resíduos. A queima do carvão vegetal, aliás, produz tanto resíduo quanto a queima do carvão mineral.
Agora, o maior problema do renovável é histórico: as florestas derrubadas não serão repostas. Historicamente, a queima de florestas para a produção de energia não levou a sua renovação, mas a sua substituição por plantações, criação de gado ou desertos. E as florestas replantadas são inteiramente diferentes das originais. Assim, o mito do “renovável” cai por terra não pela impossibilidade teórica, mas pela prática econômica atual.
Os maiores produtores de energia a partir da biomassa “tradicional” são os países e locais atrasados, como a África e Ásia. Para o uso industrial, entretanto, o Brasil ocupa um dos lugares centrais – através da madeira gaseificada ou do carvão vegetal. A manutenção deste item em percentual significativo da produção energética não é sinônimo de ecologia, mas de atraso econômico e, quando produzido em grandes quantidades, de mais e mais poluição.

BIOMASSA “MODERNA”

No Brasil o programa do carro a álcool foi um sucesso. Os EUA tornaram-se o maior produtor mundial de álcool, a partir de incentivos econômicos. Mas, o álcool (etanol) é viável, é um combustível renovável que não polui?
Na realidade, a produção do álcool (ou do açúcar) a partir da cana já gera uma série de subprodutos altamente poluentes e que degradam o meio ambiente de forma absurda. A queima da palha da cana, nas quantidades hoje geradas leva a índices de poluição semelhantes ao da produção do carvão vegetal. Por outro lado um resíduo que é produzido é a vinhaça, um subproduto liquido que é descartado ou usado para a fertilização do solo.
Sendo liquido, ele é descartado em rios ou lagos ou, quando usado no solo, desce para o lençol freático. O resultado: a esterilização da agua e a sua poluição.
Mais grave ainda, é o fato que queima do álcool gera mais aldeído que a queima da gasolina (muito mais!). E o aldeído é uma substancia altamente cancerígena, sendo que não existem maiores estudos sobre a disseminação deste produto e do aumento (ou não) do câncer em função do seu uso. Afinal, é possível uma experiência prática, comparando-se as taxas de incidência de câncer no Brasil, na região dos EUA onde se usa o álcool e em outros países.
Além disso, o crescimento do mercado do álcool tem levado a destruição de matas e florestas para a plantação da cana. Não vamos repetir aqui os problemas ecológicos decorrentes da monocultura, tais como soja, algodão e cana de açúcar. Apenas lembramos que ao contrário da lenda, a produção e o consumo do álcool não tem um “custo zero”. Também não discutimos aqui o controverso programa dos EUA de produção de álcool do milho, aonde para gerar 6 litros de combustíveis são gastos 5 litros! Ou seja, a produção (que é a maior produção mundial) só se sustenta com um massivo incentivo governamental!

HIDROELÉTRICA

É uma forma relativamente “limpa” de produção de energia. E, no Brasil, ocupa um lugar importante. Tem problemas em duas coisas na produção – a destruição do meio ambiente, de cidades e locais de moradia (vilas e fazendas) e também o alto custo humano (acidentes e mortes) no próprio processo de construção, que é muito maior do que qualquer outro tipo de fonte de energia.
Por outro lado, como o custo de construção é muito alto, a maioria dos proprietários de usinas evita fazer algo que poderia resolver muitos problemas e aumentar a produção de energia: modernizar máquinas e equipamentos, substituir turbinas e outros equipamentos.
Em outras palavras, o custo da substituição de equipamentos não “compensa” os ganhos energéticos. É mais barato construir usinas térmicas, nucleares ou até uma nova usina (que tem subsídios governamentais).

ENERGIA EÓLICA

É o must do momento. Não causa poluição ambiental. Não modifica o meio ambiente. É grátis. Verdade? A verdade é que não existe nenhuma conta sem gastos. E existem problemas que precisam ser examinados:

·  Não existe nenhum estudo sobre a influência da poluição sonora causada pelas turbinas.

·  Não existe estudo sobre a morte de pássaros e outros animais voadores (morcegos, insetos, abelhas) como resultado das turbinas funcionando.

·  As turbinas funcionando qual a sua influencia no meio ambiente, de vento e chuva? Afinal, se a força do vento move um parque inteiro de moinhos de vento, o vento tem que necessariamente diminuir. Isso é bom ou ruim?

·  A manutenção – como as pessoas que fazem a manutenção sofrem os efeitos da poluição sonora.

Claro está que está sendo feito um rápido desenvolvimento desta tecnologia, com mudança de reatores inclusive para prevenir o problema de choques de pássaros, mas não evita a questão dos insetos e da poluição sonora.

ENERGIA GEOTÉRMICA.

Um dos maiores experimentos para este uso deu errado. Ao se furar vários buracos para esquentar a água no subsolo e subir produzindo vapor e energia, mudou-se o equilíbrio e tiveram vários tremores. Ou seja, é algo que precisaria de muito maior estudo para uso.

ENERGIA SOLAR

Em principio, parece com a energia eólica: grátis e sem afetar o meio ambiente. Mas, a verdade é um pouco diferente e qualquer um pode ver isto: o uso em qualquer lugar que não seja já área construída significa deixar uma porção do solo imensa (por exemplo, em um deserto) sem a ação do sol. E isto tem um custo imenso em fotossíntese, na fauna e na flora. Além disso, temos o problema da produção dos painéis solares, que exigem uma quantidade imensa de terras raras, que exige um alto processo de mineração. Voltando: não existe conta com custo zero.

ENERGIA NUCLEAR

Os defensores da energia nuclear argumentam que ela é uma com menor índice de mortes e acidentes. E tem razão. Mas os acidentes foram espetaculares e podem conduzir a problemas imensos. Então, depois disso tudo, o que poderemos ter que resolveria os problemas de produção de energia?

CAPITALISMO, CONSUMO E DESENVOLVIMENTO.

Voltemos ao início: O que necessitamos, para as nossas necessidades da vida moderna, são métodos de produção de energia que evitem modificar o meio ambiente de forma nociva ao ser humano. E quase todas as formas descritas aqui poderiam cumprir este papel (excetuando-se provavelmente a biomassa tradicional e a biomassa moderna). Mas, na situação econômica atual, todas elas produzem o contrário. Uma nova forma de produção de gás de petróleo, obtido do xisto betuminoso, através da injeção direta de reagentes nas minas no subsolo mostrou-se até quatro vezes mais barata que a produção de gás nos poços de petróleo! Ótimo. Grande. Os EUA comemoram o que pode vir inclusive a ser a sua independência energética! Um pequeno, porém: os lençóis freáticos, a agua subterrânea é toda poluída!
A questão, em ultima análise, é sempre a mesma: o capitalismo funciona para produzir lucros e, se no meio do caminho, encontra-se inclusive a possibilidade de destruição do ser humano ou da vida na Terra, ele segue em frente movido pelo lucro e não pelas necessidades humanas.
Todos sabemos que muitas poderiam ser as medidas a serem tomadas que resolveriam grande parte dos problemas aqui levantados e que os tornariam absolutamente irrelevantes. Substituir turbinas e formas de passagem da água nas usinas construídas há muito tempo permitiria gerar muito mais energia. Substituir linhas antigas de transmissão diminuiria a perda energética que acontece pelo caminho. Substituir linhas de distribuição de energia nas cidades economizaria muito energia. Substituir toda a iluminação pública por lâmpadas mais modernas com maior ganho energético economizaria energia. Resultado: sobraria energia e não precisaríamos de tantas usinas novas, de tantos reatores novos, de tanta produção de gás natural.
Outras medidas diminuiriam ainda mais o gasto energético: construção de moradias e prédios de trabalho com maior eficiência frente ao clima. Ou seja, em locais tropicais, residências e prédios que tivessem refrigeração mais natural, sem precisar de ar condicionado (prédios com janelas que refletissem o sol, prédios com painéis solares que absorvessem a luz para produção de energia elétrica, prédios com sistemas de ventilação que utilizassem o próprio sol para mover o ar ou evaporar água com efeitos refrigerantes, prédios com áreas verdes, plantadas, etc.). Em locais frios, já existem protótipos de casas aonde o próprio calor humano conserva a temperatura, evitando a necessidade de aquecedores a óleo ou gás.
Mais ainda, um gasto imenso de energia é concentrado em transporte (várias pesquisas dizem que o transporte consome 60% da energia produzida, mas não consegui nenhuma estatística confiável sobre o assunto). Hora, a adoção de métodos de transporte coletivos, como trens, metros e outros, além da adoção de trens rápidos ao invés de aviões, permitiria um novo tipo de funcionamento com muito mais segurança. Alias, se construíssemos trens rápidos ligando continentes pelo fundo do mar (como foram construídos cabos submarinos, quando diziam que isto era impossível, como foi construído o túnel sobre o canal da mancha) teríamos uma revolução imensa no transporte.
Mas, e o lucro? Hoje uma boa parte da indústria mundial gira em torno da produção de automóveis e de suas peças e combustíveis. Todas as soluções vindas a público começam por automóveis melhores, com menor gasto de combustível. Mas, e o custo humano? Quanto custa substituir todos os que morrem todos os dias de acidentes de carros, motos e ônibus? Quanto custa substituir os que morrem em acidentes de avião? O trem é um transporte mais seguro e poderia se fossem concentrados esforços nisso, tornar-se-ia mais seguro ainda!
Mas não! É necessário ter lucro! E a vida humana é barata e os trens são caros! Custa muito perder um parente ou um amigo num acidente estúpido, mas em termos de capitalismo, a morte é barata e o ser humano apenas um bem a ser substituído.
Poderíamos construir usinas hidroelétricas quase sem acidentes e sem todo o cortejo de miséria e degradação que acompanham todas as obras, mas isto é muito caro e não dá lucro! É mais fácil favorecer a prostituição inclusive de menores nas grandes obras do que pagar o suficiente para mudarem os operários e suas famílias, para treinar a população a serem os operários. É mais fácil ter “acidentes” nas obras que matam milhares do que ter equipamentos, treinamento e cuidado para evitar acidentes. Na verdade, é mais barato manter tudo como está!
As usinas nucleares foram projetadas para durarem 25 anos. E quando termina o prazo de validade, é mais fácil (e mais barato) pagar para que um funcionário ateste que ela pode continuar funcionando do que desativar e construir outra. É mais barato construir usinas de quebra de urânio, usinas físseis, do que pesquisar com afinco a fusão nuclear. Sim, o mundo funciona na base do lucro e enquanto assim funcionar, a produção e consumo de energia, como tudo no mundo, é apenas mais um caminho que leva da civilização moderna para a catástrofe, seja isso a barbárie de uma guerra ou a um novo ambiente em que mil baratas floresçam.

* É muito difícil se obter estatísticas confiáveis sobre o assunto. A maioria das fontes concorda com os valores apresentados neste gráfico. Porem, quando procuramos uma tabela de consumo foi difícil achar uma e ela apresenta um valor de produção diferente destes, embora concorde com a posição relativa de produção – petróleo, gás, carvão
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Por: Luiz Bicalho, na ‘Esquerda Marxista’.
Em: 25 de Julho, 2011.
Acesso em 1 de Agosto, 2011.


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